Horacio Junior

O Momento do Vasco é de Empatia

A língua portuguesa é uma coisa viva, de vez enquanto surgem uns termos que vem para ficar,como “sextou” e o “mimimi”. Mas como tudo na vida, esses novos termos podem ter um bom ou um mau uso dependendo exclusivamente da capacidade de articulação do seu interlocutor.

O termo “mimimi” que retrata com maestria e deboche o choro sem razão também é empregado na redução de debates que preferimos ignorar.

Vejo com uma frequência alta vascaínos vociferando contra vascaínos a respeito da eleição. O debate sobre a manobra política que deu vitória a Alexandre Campello não pode ser tratado como “mimimi”, quem reclama do que aconteceu no clube não pode ser taxado de “viúva do Brant” ou coisa parecida.

É por isso que eu falo que o momento é de empatia. Empatia é a nossa capacidade de entender como o outro pensa. E esse exercício muitas vezes é mais importante do que identificar quem está certo ou errado.

É preciso entender que, para MUITOS, a manobra que elegeu Alexandre Campello foi um grande golpe na esperança de novos rumos. Lembrem-se que quando Campello foi eleito os gritos foram de Eurico! Lembrem-se da alfinetada dada pelo ex presidente que sem o seu apoio e de seus asseclas Campello não seria eleito. A associação é clara. Existem argumentos dos dois lados se foi golpe ou não. Não é o mérito do texto. Não me interessa discutir coisas que as pessoas acreditam… É como discutir religião. Mas uma coisa é irrefutável. O sócio queria Júlio Brant e Alexandre Campello como Vice e isso não foi respeitado. O Vasco se distanciou do seu torcedor e isso naturalmente tem um preço.

Esse debate é um debate de valores, de ética e moral… Quando preferimos ignorar o que aconteceu com o Vasco nós nos igualamos àquela pessoa que assiste o que acontece com o país na superfície do problema. Nós nos transformamos no alienado político e perdemos o direito de criticar quem tem um posicionamento político legítimo. Isso vale pra quem se emputece com um Michel Temer, ou quem lamenta o golpe da Dilma, ou quem se revolta quando a Direita é achincalhada através dos seus líderes. Não importa o lado.

Vejo a raiva de muitos com o Campello como um processo de luto. Foi tirado o desejo do vascaíno. Ainda mais depois de um processo de inúmeras vitórias jurídicas contra o Eurico e a maldita urna 7 e contra o poderoso escritório do Sérgio Bermudes.

A expectativa de novos rumos foi altíssima, o vascaíno se politizou e suplicou durante todo o processo de campanha eleitoral para que a oposição se entendesse e colocasse o Vasco em primeiro lugar e derrotasse Eurico Miranda. Essas coisas não podem ser esquecidas.

Mas como todo luto, passa, não é para sempre. Ninguém vai deixar de ser vascaíno por conta disso e o debate sobre a política do clube será pauta constante até o novo ciclo eleitoral. Creio que ninguém poderá fazer nada a respeito disso.

Se me permitem um conselho eu sugiro que politizem-se. Como diz a máxima de Platão…

Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam.

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