Pedro Henrique Rocha

Até quando o Vasco vai aguentar?

Hoje não vim falar do jogo, não perderei meu tempo para resumir ou tentar explicar o que todos vimos hoje em São Januário.

Minha preocupação hoje é a instituição Vasco da Gama. Até quando ela suportará o que os sedentos pelo poder vêm fazendo para estar no alto escalão?

A torcida enche, faz festa, aplaude, vaia, canta e silencia. Tudo dentro da normalidade. Na primeira manifestação voltada ao candidato vencedor das urnas (diga-se de passagem, de forma totalmente pacífica), vimos confusão na arquibancada. Sempre no mesmo local e provavelmente iniciada pelas mesmas pessoas. Não, não foi coincidência. Fica claro que a torcida não tem o direito de se manifestar dentro de sua própria casa. Um câncer maligno corrói o Vasco da Gama há anos, quando finalmente essa doença parece regredir, aparece um tumor, oriundo desse mesmo câncer para novamente deixar o Vasco em coma.

Qual o remédio? Qual paliativo? Qual tratamento?

Muito me preocupa os próximos dias, já que ao meu ver a linha de tolerância que protegia o atual presidente se esvaiu hoje com a eliminação na Libertadores. Isso ficou claro quando a torcida, pela primeira vez, xingou o atual presidente e clamou pelo vencedor das urnas. Exatamente no momento em que o presidente atual parece estar cada vez mais isolado.

O Vasco está eliminado. O mundo real está de volta e com isso, acho que começa, de fato, o mandato do atual presidente.

Respondendo as perguntas um pouco acima:

A solução é a torcida. Como disse em minha primeira coluna aqui. A mesma torcida que viu 3 rebaixamentos em 10 anos e ainda assim sempre esteve ao lado do Vasco será a solução. O tratamento será a longo prazo e doloroso, porém o Vasco precisa de sua torcida. Nós, sócios estatutários, sócios torcedores e torcedores, somos a solução. Seremos o remédio, depois seremos a cadeira de rodas. Um dia, o Vasco levantará dessa cadeira de rodas e vai voltar a ser o VASCO.

Definitivamente a hora é de apoiar, abraçar, encher o estádio e empurrar o time. Todos nós temos consciência de que o time é limitadíssimo e pelo que vimos essa semana com a publicação do balanço patrimonial, não há perspectiva de melhora. Sabemos que será um ano dificílimo (como está sendo) e que a nossa maior preocupação, sejamos sinceros, é passar o campeonato longe da zona de rebaixamento. O que vier depois disso é lucro. Há quem vai dizer que estou sendo pessimista, mas não vejo outro cenário. Torço e espero estar errado.

A torcida por sua vez, parece ter entendido isso. Ficou claro com os aplausos após o jogo contra o Racing e com a vaia tímida após o apito final contra o Cruzeiro. A torcida tem consciência de que disputávamos uma competição que está muito além de nossa capacidade. Não faltou vontade. Isso não podemos negar, mas infelizmente camisa e vontade não são suficientes para ganhar jogo.
Por isso que falo: não há time no mundo com torcida igual a nossa. Nenhum time grande do Brasil e me arrisco a dizer do mundo, passou pelo que nossa torcida passa. São 18 anos de desgraça, de tristeza e de decepção, mas sempre estamos lá. Sempre estamos cantando, vibrando, aplaudindo, xingando, gritando, vibrando etc.

A torcida sempre foi o alicerce que impediu o Vasco de ir mais para o buraco. Sempre fomos a máquina que mantém o Vasco respirando.

Portanto, seremos também a solução.

A hora é de apoiar. Nada além disso. Apoio incondicional porque é o que nos resta.

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