Pedro Henrique Rocha

As redes sociais e o problema surgido no Vasco

No final da noite de 21/05/2018, véspera do jogo que decide uma vaga na Copa Sul Americana, a torcida do Vasco foi surpreendida com uma foto onde uns jogadores supostamente ironizavam as vaias recebidas nos últimos jogos em seus perfis pessoais na rede social Instagram. Coincidência ou não, esses jogadores são uns dos mais criticados do elenco atual, o que acabou gerando mais ira na torcida.

O fato teve rápida repercussão a ponto dos jogadores apagarem as postagens, mas como dizem por ai, “uma vez na internet, para sempre na internet”. Mesmo com o pedido de desculpas postado em cada perfil, a polêmica estava criada. Uma parte da torcida clama por punição severa como afastamento ou rescisão, outra parte acha que deve ser relevado ou apenas “um puxão de orelha”. A minha opinião é de que deve haver sim uma punição, mas que não gere ônus para os já combalidos cofres do Vasco e que seja proporcional ao dano causado. O Vasco deve sim tomar uma atitude, até para prevenir problemas futuros entre a torcida e esses jogadores. A comissão técnica e diretoria têm que considerar o impacto de se aplicar ou não uma punição, o peso da punição (caso seja aplicada) e pensar no reflexo disso no elenco e torcida.

Uma punição, qualquer que seja se trata de um remédio, ou seja, algo aplicado posteriormente ao dano.

E como o Vasco pode fazer para evitar situações desagradáveis como a citada acima?

É inegável que a internet e as redes sociais são hoje as maiores fontes de informações utilizadas no mundo, portanto o Vasco deve preparar seus jogadores para a utilização destes meios. Essa preparação deve vir desde a base, onde os jovens jogadores já utilizam as redes sociais frequentemente e passar para jogadores que são contratados para o clube. De que forma o Vasco prepararia seus jogadores para a utilização destas redes? O Vasco tem o direito de determinar o que o jogador pode postar em seu perfil particular?

O Vasco deve considerar que, assim como no restante dos clubes pelo país, muitos jogadores vem de famílias humildes que por muitas vezes passaram por dificuldades que geraram uma educação deficiente. Agora imaginem um menino que um dia tem que pedir carona para um treino ou usar uma chuteira doada, no outro dia passa a receber um salário muito acima da média do povo brasileiro. Naturalmente vem o deslumbramento e com ele atitudes irresponsáveis. Portanto não se trata de um problema do clube e sim de um problema social.

Voltando a focar no Vasco, creio que essa prevenção deve ser iniciada com profissionais da área de marketing digital, redes sociais, assessores de imprensa e psicólogos. Palestras e cursos de etiqueta nas redes sociais, psicólogos para acompanhar a transição destes jogadores e assessores de imprensa experientes para orientar constantemente esses jogadores e apagar o fogo caso surja algum problema.

Além dessas prevenções acima, creio que a utilização de vídeos institucionais, cartilhas de comportamento e até mesmo visitas guiadas, principalmente para os jogadores não formados no Vasco, seriam de extrema importância, já que mostra para os jogadores o que é o VASCO, o que significa defender o VASCO e principalmente respeitar o VASCO acima de tudo.

O Vasco de fato não pode determinar o que cada jogador faz com seu perfil pessoal nas redes sociais, porém tem a obrigação de orientar todos seus jogadores a respeitar o Vasco e sua torcida. Talvez o problema surgido ontem teria sido evitado. Talvez os jogadores, caso instruídos, sobre o assunto repensariam postar uma até então inocente brincadeira e enxergariam o dano que poderia gerar.

O quanto Você Gostou do Post?

Deixe Seu Comentário