Rodrigo Rebechi

A provocação nos estádios fica dentro dos estádios

Essas expressões são apenas três de dezenas, centenas e milhares de provocações, xingamentos, guerras verbais provocadas no interior (e também fora) dos estádios do Brasil. O motivo de escrever esses exemplos é levantar o debate promovido por um torcedor do Palmeiras, homossexual, que se sentiu incomodado e ofendido com sua própria torcida que, em jogo contra o São Paulo, esteriotipava seus adversários como “viados”. Estaria ele certo em levantar a questão?

Vamos aos fatos: em primeiro lugar, eu e nenhum integrante da Cruzada Vascaína, prega homofobia, xenofobia, racismo e quaisquer outra aberração verbal contra qualquer pessoa, indiferente de sua cor, credo, opções sexuais e afins. Dito isto, a história da rivalidade entre clubes criou diversos rótulos. As torcidas de Fluminense, São Paulo e Cruzeiro são taxadas de gays. Do Flamengo e Corínthians de favelados. Nós somos portugueses, mas chamados de forma pejorativa. Jogadores negros sempre foram chamados de “macacos”, “viados” e “filhos da puta”. O juiz, se prejudicasse sua equipe, era “ameaçado de morte”. Isso é desde quando eu me entenda como torcedor.

O que levo para esta discussão é: os xingamentos e provocações que são feitos em dias de jogos ficam dentro dos estádios. Duvido que a menina que chamou o goleiro Aranha de “macaco” seja racista. Até porque o Grêmio, seu time, também tem negros no elenco.

Xingamentos sempre foram usados para desestabilizar o adversário. Lembro de um Vasco x Mulamb (oops..Flamengo) em outubro de 2001, onde vencemos por 5 a 1, com três gols do Romário. A torcida vascaína pegou no pé do goleiro Júlio César, que acabara de assumir namoro com a ex do Ronaldo, a Suzana Werner. Provocações grosseiras, escatológicas. O goleiro fazia sinais obscenos pra gente, tava perturbado. Tomou 5. E os xingamentos morreram ali.

Mas estamos na geração “mimimi”, do politicamente correto. Uma época que qualquer vírgula é preconceito. Tudo está muito chato dentro dos estádios. Se não bastassem estádios vazios, falta de qualidade em campo e preços de ingressos altos para o espetáculo apresentado, não se pode xingar, extravasar, que é taxado de alguma coisa. Mas ouvir funk com letras depreciativas pode.

A censura dentro dos estádios existe, mas e a coibição da violência entre torcidas, que se matam por causa da preferência futebolística contrária? Por mais xingamentos, zoações, etc, dentro dos estádios e menos (muito menos) violência fora dele.

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